Paralisação ou solução no modal rodoviário?

By on março 9, 2015
Renato Binoto

Logística vem do latim, logus, que é a arte de calcular, de planejar. Portanto, diante da infraestrutura de transporte brasileira, será que conseguimos fazer logística ou apenas transporte? Questão simples de ser respondida. Afinal, como viabilizar e maximizar lucratividade sem estrutura de transporte?

A deficiência reflete diretamente na depreciação de veículos – pelas más condições das vias somadas ao aumento de tráfego – e nos altos custos trabalhistas, junto aos motoristas. E, por fim, o fator chave do impacto do movimento de paralisações: a cobrança de pedágios e o preço excessivo do combustível.

O Brasil, sem sombra de dúvidas, perde em competitividade devido ao alto custo de transporte que somos obrigados a assumir. Esse reflexo é repassado ao cliente final, pois alguém sempre paga por isso. Independente da paralisação rodoviária, o Brasil já está parado há muito tempo. O custo é tão alto que com o caminhão parado na rodovia, ou não, a inviabilidade é presente e o reflexo do caos apenas foi parar na mídia.

Em média, a viabilidade de rotatividade do modal rodoviário é de no máximo 400 quilômetros, ou seja, o caminhão foi feito para o atendimento de pequenos trechos. Porém, este modal tem o grande diferencial de atender “porta a porta”. Sendo assim, tem a vantagem de deslocamento e criação de roteiros próprios, afinal, o trem ou mesmo as embarcações têm limitações de rotas, sejam elas em percursos hidroviários, marítimos ou mesmo trilhos.

O caminhão tem esse grande diferencial, porém no Brasil, devido à falta de integração intermodal e ausência de modais em grandes eixos logísticos, temos o reflexo em longos percursos no modal rodoviário e, na maioria das vezes, com transporte de carga a granel (grãos de baixo valor agregado).

A força da classe

A paralisação mostrou a força dos caminhoneiros que sustentam todo o País. A medida é desesperadora, pois grande parte dos motoristas possuem veículos próprios. Contudo, com as condições de trabalho apresentadas, eles acabam pagando para trabalhar. A grande questão do projeto de Lei que vem sendo discutida é justamente essa, com base no Finame Procaminhoneiro. Esse programa é financiado através do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) para aquisição de caminhões novos e usados, de fabricação nacional, com o intuito de modernizar a frota brasileira.

O que vem sendo discutido é um prazo de início de pagamento do veiculo adquirido a partir de um ano de aquisição. Isto está bem próximo de aprovação, porém o ponto mais agravante é o custo de transporte: combustível e pedágio. O governo já confirmou a impossibilidade de congelamento de preço do combustível. Estamos dando facilidade de crédito para aquisição de veículos, porém o custo de trabalho ainda é o complicador, somado à concorrência dos autônomos e aos operadores logísticos. Dependendo da demanda de transportadores no mercado, podemos ter sim um problema logístico, afinal, se contrata o mais barato. E no mundo dos negócios, nem sempre o mais barato é o viável. Onde há muita demanda, há também guerra por preço e de forma descontrolada: sempre para o menos.

Precisamos sim, de forma prioritária, mais saúde, educação e saneamento básico. Contudo, para o desenvolvimento competitivo do País precisamos urgentemente de boas execuções de obras. Afinal – faça-se justiça -, temos ótimos projetos logísticos, o que não temos é execução.

Renato Binoto

Professor do MBA Executivo em Logística de Produção e Distribuição do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG), tecnólogo em Logística, mestre em Engenharia Urbana e Transportes

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