Reflexões sobre o Mercado de Fusões e Aquisições

By on agosto 16, 2016
Fotos -  Alexandre Parrode

O Transactional Track Record, informativo que contém tendências do mercado brasileiro de fusões e aquisições, acaba de divulgar um ranking Year to Date (YTD) dos principais assessores financeiros e jurídicos. Nele, a Magma, a assessoria financeira que conta com a participação do advogado goiano Marlos Nogueira, aparece entre as “top 10”. Algumas das transações da Magma contaram ainda com a assessoria legal do NOM AC, escritório fundado por Marlos Nogueira, sendo que suporte legal de negócios está no DNA desse time.

No primeiro semestre de 2016 foram realizadas quase 300 transações, com destaque para os setores de tecnologia da informação, serviços auxiliares, financeiro, petroquímico e varejo, mas o volume foi inferior ao ano anterior. Mais da metade das transações ocorreram com investidores nacionais e, dentre os estrangeiros, predominaram os americanos, franceses e ingleses. Menos investidores financeiros (fundos, por exemplo) investiram em comparação a 2015, o que demonstra tendência de operações destinadas à escala. O maior volume de operações envolveu empresas de pequeno e médio portes. No Centro-Oeste ocorreram cerca de 7% dessas transações. No setor de logística, houve 25% mais transações do que o ano anterior, uma delas também assessorada pela dupla Magma-NOMAC.

Do ponto de vista político e econômico, o Brasil parece ter encontrado um ponto de inflexão. Reformas estruturais nas áreas fiscal, previdenciária e tributária são fatores decisivos para um futuro promissor, mas há boas chances de alguma prudência e responsabilidade do executivo e do legislativo para trilharem juntos esse caminho. No âmbito mundial, uma das maiores consultorias de negócios do mundo divulgou recentemente o que vê como as seis tendências econômicas de crescimento até 2020: a) descentralização da concentração de riquezas, b) infraestrutura antiga, novos investimentos; c) intensificação da disputa por recursos finitos; d) populações mais inteligentes e mais saudáveis; e) nova onda de inovação tecnológica; e) preparação para a próxima grande novidade (nanotecnologia, biotecnologia/genômica, inteligência artificial, robótica e conectividade onipresente).

Esses são os variados elementos (mercado, país e mundo) com os quais os empresários têm que lidar no momento de tomada de decisão acerca do futuro do negócio. Muitas empresas são fundadas no seio da família, outras, nascem com um certo grau associativo entre uma grande ideia e um apoiador capitalista e, uma minoria, começa com alguma organização corporativa. A grande maioria, contudo, experimenta a curva de aprendizagem enfrentando um processo de crescimento lento, doloroso e, muitas vezes, traumático. Para as sobreviventes e exitosas, a partir de um certo porte, ou a partir de determinada situação de sucessão dos próprios sócios, a troca de controle passa a ser uma opção de inegável atratividade. É quando a venda passa a ser considerada.

Crescemos até aqui, mas dá pra crescer mais? Com que dinheiro? Dívida, aporte? Sem ganho veloz de escala, dá pra competir no jogo de competidores maiores? Os controladores ainda sonham com o futuro da empresa, ou o porte atual já é a realização do sonho que tinham? Os filhos e netos dos controladores ou fundadores têm habilidade para conduzir o negócio na trilha do futuro? Alguém pode fazer melhor daqui em diante? Se puder, como acessar esse mercado de fusões e aquisições? Como se preparar para o processo de venda? Como diminuir riscos e aumentar o valor dos ativos, maximizando o preço? O que fazer no dia seguinte, quando houver a troca da ação ou quota por dinheiro? O futuro traz consigo oportunidades de novos empreendimentos que o dinheiro da venda do empreendimento atual pode viabilizar?

Essas são apenas algumas perguntas enfrentadas por quem decide vender uma empresa. As respostas estarão nas reflexões acerca do comportamento do mercado (o qual, hoje, indica retomada de apetite dos compradores), do cenário local (que é desafiador para as empresas, mas promissor para investidores), do cenário mundial (que é indutor de novos tempos para o capitalismo, com oportunidades em setores de vanguarda) e, claro, do cenário próprio da alma de cada sócio da empresa (que, antes de tudo, precisa querer virar a página da própria história).

Marlos Borges Nogueira é graduado em Direito pela Universidade Federal de Goiás (1997); pós-graduado em Direito Tributário pelo Instituto Goiano de Direito Tributário/Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2000); MBA em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (2006); pós- graduando em Direito Civil e Processual Civil pela Universidade Cândido Mendes-RJ (2007); LL.M (Master of Laws) em Direito Corporativo pelo IBMEC (2008), ALP (Advanced Law Program) em M&A (Mergers & Acquisitions – Aquisições e Reorganizações Societárias) pelo IICS (Instituto Internacional de Ciências Sociais) (2010), com extensão na Vanderbilt University, em Nashville, Tennessee, EUA (2011).

Foto: Marlos Borges Nogueira (Crédito: Alexandre Parrode/ A Redação)

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