Um mito chamado Taxa de Administração

By on outubro 25, 2017
marco08
É de ciência de todos que a tendência da taxa de juros SELIC é de queda – a qual acontece desde outubro de 2016, quando o presidente do Banco Central começou a diminui-la de 14,25% ao ano para o patamar atual de 7,50% ao ano. Desde maio de 2012, a poupança – outro investimento tradicional – também teve sua rentabilidade diminuída para 70% da SELIC (taxa básica de juros brasileira) acrescido da TR (Taxa Referencial), justamente para que houvesse possibilidade de diminuir ainda mais a taxa SELIC. Caso contrário, seria mais interessante aplicar na poupança do que nos títulos públicos federais. A isenção do imposto de renda da poupança continua. Não há sombra de dúvidas que as taxas de administração que incidem sobre os fundos ligados à taxa de juros (DI ou RF) influenciam diretamente sobre suas rentabilidades. Mesmo com as taxas de juros em menores níveis históricos, ainda existem fundos destas classes com dois por cento de taxa de administração. Consequentemente, as rentabilidades destes fundos são diretamente afetadas de forma negativa. Dado isso, para o investidor tentar manter as rentabilidades passadas, deverá aceitar algum grau de risco, sendo sempre necessário respeitar a tolerância de cada um a este grau de risco. Porém, existem muitos fundos que, mesmo cobrando taxas de administração nestes níveis, proporcionam rentabilidade maior que a aplicação em um título público indexado à SELIC. Esta afirmação pode ser feita conforme a instrução da CVM – Comissão de Valores Mobiliários – número 409, a qual menciona que de toda rentabilidade divulgada por suas instituições devem ser descontadas as taxas (administração e performance – se houver), porém não está descontado o imposto de renda. Muitos fundos multimercados existentes apresentaram rendimentos médios em torno de 14% nos últimos doze meses (correspondente a cerca de 121% do CDI) – já deduzida a taxa de administração. Da mesma forma, também existem fundos que apresentam rentabilidade média de 10% nos últimos doze meses (correspondente a 96% do CDI), com taxa de administração em torno de 0,7% ao ano. Então, de acordo com o exposto acima, qual a conclusão podemos ter? Quando o assunto é fundo de investimentos, os investidores devem preocupar-se mais com a rentabilidade, ao invés da taxa de administração. Portanto, é preferível estar em um fundo que tenha a taxa de administração de 2% ao ano que renda em torno de 121% do CDI a um fundo que apresente a rentabilidade de 96% do CDI com uma taxa de administração em torno de 0,7% ao ano. Por Marco Harbich (Administrador, com MBAs (FGV-RJ) e especialização (Florida International University Miami) em finanças. Certificação CFP e diretor da TER Investimentos)

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